Um respiro para viver com sentido

Em algum momento dessa jornada por aqui, parece que uma ficha cai dentro da gente. Cada um em seu próprio tempo. Alguma voz que pede para que a vida seja revista, revisada. Olhada de um novo jeito, onde os padrões dos quais estivemos tão acostumados parecem já não caber mais dentro da gente. Questionamos o que fazemos, como fazemos, as nossas companhias, as nossas relações.

É algo da nossa essência que precisa sair, que precisa se encontrar. Para ser e ressignificar essa passagem na terra. “Será que estou vivendo da forma como eu realmente gostaria?”, “Será que poderia fazer isso de um jeito diferente?”, “Quais são as possibilidades desse mundo?”. “Por que trabalho com isso, ou, como meu trabalho pode me trazer mais satisfação e pode fazer algo pelo mundo?”. “Será que a amizade é mesmo isso?”, “Posso me ver de um jeito diferente?”… Talvez as perguntas sejam infinitas. E,no começo, a gente nem saiba por onde começar a respondê-las.

Por um tempo, alguns anos atrás, eu estive nessa profunda crise de sentido. Eu passei a questionar tudo. “Pra que fazemos isso? Por quê?”, “Pra que estou aqui?”. “Pra que serve viver uma vida trabalhando?”, “Será que não é muito pequeno estar nessa existência do jeito que temos estado?”. “Será que tudo se resume a uma rotina que inclui trabalho e encontrar os amigos aos finais de semana, comprar umas coisinhas, ver um filme no cinema…?”.

Eu achava que tinha tanta coisa errada na Terra; que a gente não fazia nada de útil para mudar essa realidade. Que o mundo parecia cheio de pessoas adormecidas, anestesiadas para as questões internas — e também externas. Tanta gente vivendo sem refletir sobre suas escolhas em nenhum aspecto. Consumismo. Um mundo do ter, e não do ser.

Comecei a achar que a vida estava sendo experimentada de um jeito muito pequeno. Muito fora de suas potencialidades. O que tem a mais? Deve ter um sentido a mais. Deve ter um significado a mais. Será que a gente não pode fazer diferente? Será que a gente não pode rever a forma como levamos nossos dias e a forma como nos tratamos até agora? Será que mesmo sem poder solucionar a fome na África, será que não posso diminuir as desigualdades em pequenas atitudes que podem ser tomadas já? Será que o caminho é mesmo trabalhar e trabalhar só porque é assim que as coisas são? Qual é o sentido, qual é o sentido…?

Acho que ainda não tenho essa resposta pronta. Qual é o sentido. O sentido é mesmo particular; é você quem dá. A vida é isso: não existe um quadro negro no céu dizendo pra que que isso tudo serve. E talvez esse seja o sentido final: criar sentido pra tudo isso. Eu acredito que o mundo precisa ser reformulado; tudo precisa ser revisto. E tenho sentido cada vez mais que esse momento chegou, que uma nova era está despertando cada vez mais gente para viver alinhada com um propósito muito maior. Para encontrar sentidos mais profundos. Mais verdadeiros. Para sentir que aquilo sim, faz o coração estar onde deveria estar.

Quanto mais descobrirmos sobre quem nós realmente somos, mais transformadora será a nossa relação, com o outro e com o mundo. Podemos perceber a nossa intrínseca conexão com a natureza, que rege tudo, todos os nossos ciclos, mesmo quando estamos iludidos achando que isso não acontece na vida do asfalto e dos prédios na cidade grande.  Aí, cuidar desse mundo, da natureza, dos animais, deixa de ser só uma questão de sustentabilidade; passa a ser uma forma natural de amor, de cuidado, porque a criação é unica e una: não há fora e nem estamos à parte. É tudo uma coisa só. Quando esse senso desperta dentro da gente, nossa, é lindo.

Talvez cada pessoa seja um universo inteiro. Muitos universos dentro de um só. Tanto a descobrir, tanto a mergulhar. E, aos poucos, tudo vai fazendo cada vez mais sentido… E o sentimento de desencaixe vai dando lugar a uma paz serena, que sabe que o caminho é mesmo olhar para dentro. dentro e fora.

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